Em um dos nossos clientes, estive acompanhando o onboarding de um novo profissional de RH e uma coisa me chamou bastante atenção.
Por muito tempo, o RH dessa empresa ficou muito restrito à sala administrativa, realizando as tarefas operacionais e esperando que os colaboradores viessem até ele quando precisassem de alguma coisa.
E foi justamente aí que pensei: por que o RH precisa esperar as pessoas chegarem até ele?
Naquele onboarding, decidi fazer diferente.
Entre as etapas, incluí uma visita a todos os setores da operação. A ideia era que o novo RH fosse até os colaboradores, se apresentasse, conhecesse um pouco da rotina de cada setor e, principalmente, escutasse.
Como estamos falando de uma fábrica, existe uma realidade que precisa ser respeitada: a produção não pode simplesmente parar para o RH fazer uma ação.
Então fomos até eles.
Sem parar a fábrica, sem tirar todo mundo do seu posto e sem transformar aquele momento em algo formal demais. Fomos passando pelos setores, conversando e criando essa aproximação.
E a receptividade me chamou muito a atenção.
Os colaboradores conversaram, fizeram perguntas, ficaram à vontade e se mostraram muito abertos àquele contato.
Na prática, uma coisa simples fez diferença: eles se sentiram vistos e ouvidos.
E aquela barreira do “medo de ir ao RH” começou a cair ali.
O RH não pode existir só dentro de uma sala
Eu ainda vejo muitas empresas em que o RH fica esperando o colaborador chegar.
Só que nem sempre ele vai chegar.
Às vezes, ele tem vergonha. Às vezes, tem medo. Às vezes, não sabe se aquele assunto “é para levar ao RH”. E muitas vezes o RH acaba sabendo de determinadas situações somente quando o problema já ficou grande.
Por isso, para mim, não basta o RH dizer que está de portas abertas. Ele também precisa sair pela porta.
Precisa circular, conversar, observar e entender o que realmente acontece na empresa.
Porque tem muita coisa que a gente não vai descobrir olhando uma planilha, respondendo um e-mail ou esperando alguém bater na porta.
RH precisa ser presença
Hoje se fala muito sobre ter um RH estratégico. E eu concordo.
Precisamos olhar para indicadores, processos, avaliação de desempenho, desenvolvimento, cultura, clima e tantas outras coisas.
Mas também acredito que não existe RH estratégico distante das pessoas.
O RH precisa conhecer a operação. Precisa saber quem são os colaboradores, entender as dificuldades das lideranças, perceber o clima dos setores e criar uma relação em que as pessoas sintam que podem conversar.
Isso não significa ficar o dia inteiro andando pela empresa ou interrompendo o trabalho das pessoas.
Significa marcar presença com respeito e proximidade.
Para mim, o RH precisa ser mais do que um executor de processos: ele precisa ser presença.
Precisa circular, escutar, antecipar problemas, fortalecer a cultura e criar conexões reais.
E, para isso, às vezes a primeira mudança é muito simples:
Levantar da cadeira e ir até onde as pessoas estão.
E você, concorda comigo? Como funciona o RH na sua empresa?
Regina Gregório
Psicóloga e CEO da Inrelv Consultoria Empresarial
Onde pessoas crescem, empresas prosperam.


