Setembro Amarelo nas empresas: sua liderança saberia o que fazer se alguém dissesse que não está bem?

Setembro chega e muitas empresas começam a falar sobre saúde mental. Vemos campanhas, palestras e mensagens de conscientização. Tudo isso é importante.

Mas existe uma pergunta que precisamos fazer:

Nós realmente sabemos lidar com o sofrimento do outro?

Na minha atuação como psicóloga e consultora, já encontrei gestores que me procuraram perguntando:

  • “Como eu abordo esse assunto?”
  • “O que eu falo?”
  • “Como eu acolho sem invadir?”

E também já vi situações em que um colaborador demonstra que não está bem e a resposta da liderança é quase automática:

“Vai falar com o RH.”

Encaminhar para o RH ou para um profissional preparado pode, sim, fazer parte do processo. O problema é quando o encaminhamento substitui completamente o acolhimento.

Antes de existir um encaminhamento, existe uma pessoa que escolheu alguém para dizer que não está bem.

Muitas vezes, o líder simplesmente não sabe o que fazer

Nem sempre essa reação acontece por falta de preocupação.

Muitas pessoas simplesmente não sabem lidar com o sentimento do outro.

Ficam desconfortáveis, têm medo de falar alguma coisa errada, não sabem até onde podem perguntar e, diante disso, tentam rapidamente transferir a situação para outra pessoa.

É justamente por isso que precisamos preparar nossas lideranças.

O líder não precisa ser psicólogo. Não precisa diagnosticar, aconselhar ou tentar resolver o problema.

Acolher não é tratar.

Às vezes, acolher começa com perguntas simples:

  • “Quer conversar?”
  • “Tem alguma coisa que eu possa fazer neste momento?”
  • “Vamos pensar juntos em quem pode te ajudar?”

Depois disso, quando necessário, vem o encaminhamento adequado.

Inteligência emocional também é competência de liderança

Quando falamos em desenvolver inteligência emocional, não estamos falando apenas sobre controlar as próprias emoções.

Estamos falando sobre aprender a reconhecer emoções, escutar, demonstrar empatia e lidar melhor com aquilo que o outro sente.

Um líder emocionalmente preparado consegue ouvir algo difícil sem fugir imediatamente daquela conversa. Entende que nem sempre precisa ter uma resposta pronta e reconhece quando a situação ultrapassa sua responsabilidade e precisa ser encaminhada.

Por isso, desenvolver lideranças também significa trabalhar inteligência emocional, escuta ativa, comunicação, empatia e conversas difíceis.

Quem está preparado para ouvir?

Durante o Setembro Amarelo, incentivamos as pessoas:

  • “Fale.”
  • “Peça ajuda.”
  • “Você não está sozinho.”

Mas existe outra pergunta igualmente importante:

Quem vai receber essa fala está preparado para ouvi-la?

Não basta criar canais de escuta. Precisamos desenvolver pessoas capazes de escutar.

Talvez uma das melhores reflexões para as empresas neste Setembro Amarelo seja justamente essa:

Se alguém da sua equipe disser hoje “eu não estou bem”, sua liderança saberia o que fazer?

Falar sobre saúde mental é importante.

Saber o que fazer quando alguém começa a falar é ainda mais.


Regina Gregório
Psicóloga e CEO da Inrelv Consultoria Empresarial
Onde pessoas crescem, empresas prosperam.

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